José Augusto Dionísio Lucas (1950-2007)

 

Apresentação do documentário sobre o Professor José Augusto Lucas no Auditório da ESPJAL, 16 de outubro 2015
 

Entrevista à revista "Sumário" da Câmara Municipal de Oeiras, em Maio de 2002 + Revista Sumário de Maio de 2002, da CMO

 

Para o Lucas
Estás sentado à tua secretária, um pouco inclinado
como quem acabou de chegar ou está prestes a levantar-se
ou ainda como se esperasses que alguém entrasse no teu gabinete
sempre aberto para nos acolher.
 
Estás no pátio da escola
caminhas por entre os alunos
olhas para cada um deles e sabes o seu nome
e sabes melhor do que qualquer um de nós
que os sonhos jovens e as loucuras jovens e as mágoas jovens
são para escutar atentamente
porque são os jovens que enchem de energia o nosso mundo
e nos ajudam a colher o dia, a luz de cada dia.
Talvez por isso tenhas permanecido sempre naquele lugar
improvável e difícil da eterna juventude.
 
Estás numa festa da escola – em todas as festas da escola
e o teu olhar ilumina-se de ternura paterna (ou será fraterna?)
o teu olhar abraça-nos de alegria de viver.
 
Caminhas por entre os alunos
e não sabes ainda que os teus passos hão-de ficar gravados
aqui para sempre
e que nos dias de luz mais inquieta os seguiremos
para nos sentirmos menos sós.
 
Estás no canteiro em frente à porta
é quase noite, já todos partiram e tu cortas a relva distraidamente
como quem sacode o tapete depois da festa ou antes da nova festa
que é como queres cada dia na tua casa-escola.
 
É cedo para sabermos da grandeza de tudo aquilo que aprendemos contigo
e a saudade que vai crescendo enterrou já o que em ti por vezes nos exasperava:
a tua insegura teimosia, a tua obstinada procura de consenso
e sobretudo o teu sorriso de menino melancólico que sempre nos desarmou.
 
Se tu soubesses da metade da falta que nos fazes
talvez não tivesses partido assim tão cedo e sem despedida.
Ainda assim queremos dizer-te que cuidaremos de tudo aquilo
que na pressa da partida deixaste connosco.
Deixaremos abertas as portas do coração
saberemos de cor a cor dos nomes de cada um
escutaremos o mais pequeno rumor do território dos jovens afectos
e não desistiremos da utopia de uma escola de todos e para todos.

E, podes crer, cortaremos a relva do teu canteiro.
 

Linda-a-Velha, 21 de Novembro de 2007

 
Tocaste cada um de nós de uma forma singular.
Fizeste de nós uma comunidade com um sentimento de pertença e solidariedade que manteremos vivo em teu nome.
Eternamente gratos

Professores, Funcionários e Alunos da Escola Secundária de Linda-a-Velha
 

Falta que dói
 
A tua ausência é falta que dói;
É silêncio oco que incomoda;
É saudade que sufoca;
É querer-te e não te ter.

Maria Simões - Dezembro 2009